o calor da responsabilidade, as vezes queima a verdadeira idade…
é o fruto que tem que nascer, a história que tem que acontecer.
o futuro se esconde na preguiça de não querer mudar,
na prisão em se apaixonar…
seguir a regra de quem nos paga, falar mais baixo depois das dez,
somos o chão que pisamos, a estrada que imaginamos…
o valor de existir,
poder olhar no espelho e ver uma etiqueta na sombra do olhar
dizendo que hoje, por ser segunda-feira, estamos em promoção
qualquer um pode comprar outro coração…
agente se esconde nos fatos
e vende momentos baratos
agente toma suco, e depois uma decisão
marca um encontro, muda uma nação…

agente sonha, ama, escuta e lê
agente vê, agente acredita
espirra e depois medita…
criamos ordem… cantamos o silêncio
agente é clima por um momento
é o calor da porta aberta, o frio de estar quase sempre alerta…
o engano do fax, a parábola no caderno
somos papéis, somos anéis
fazemos serenatas para matar a saudade
fazemos concursos para saber a verdade…
somos a preocupação de provar a existência,
somos a pura falta de paciência…
o terno elegante, a saia branca… o vento fraco
compramos leis e vendemos ações…
agente desmarca a constituição para depois, desenhar…
para pescar, e na falta de atitude, perder o trio elétrico
…carregamos o celular, deixamos o tempo passar
e queremos conhecer todo o universo
(mesmo que não passe de pedras geladas de rotas traçadas)
a imensidão do cartão postal e o vazio do cartão de crédito,
somos todos mérito… somos distância do cemitério…
criamos coragem para atravessar a rua
somos o médico, o cão de guarda, a passarela
batemos gelo no liquidificador,
tomamos remédio genérico para dor…
somos indecisos, procurando alguém preciso…
somos assim, um universo sem fim,
um planeta dentro de mim,
ele, ela, e quem estiver afim….
ela, ele, e quem estiver afim.
LIndíssima confissão.
Voltarei.
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