a pequena saudade, dormindo como o resto da bateria do
celular, concertou o perdão que eu precisava (para ver as
novas formas deste seu outro futuro). Fez o tom da morta
chuva de ontem trazer formas boas na lembrança de criança
presente… nesta ilha molhada de gente. É elo de família
em sintonia com a semana, como uma escolha correta de
nome, como o final de uma greve de fome. Nasci de novo no
banho, levei outros sonhos por engano e vi teus textos de
preguiça encher meu corpo de vida… me senti novamente
esperança… e como todo sangue novo, recheado de tango
jovem, o máximo que eu fiz foi perceber tua presença
solitária na calçada, cara de quem fez coisa errada.
Tantos presentes, tantas barras superadas, o perdão brota
fácil, meio que na genética, do meu lado, no meu peito. O
castelo que construí de seus pedaços de maquiagem
esquecidos no espelho virou uma outra foto na parede,
poeira nova nesta velha história… O canto de teu
sorriso fica perto, o beijo fica mais esperto, sem
câmeras de romeu e julieta esperando o final da guerra,
como dinheiro falso, sem deixar sequela. Sou um passado
na sua muralha, feita dos medos que te seguiam para nunca
mais ver meus pulsos de arte gótica, tinta seca, tom
fraco, moldura quebrada, carregada de cores de flores,
cada uma para teu ciclo na semana (e você diz que nunca
se engana!)… é peso em cima de teus ombros… de me
procurar em meio aos escombros… de sentir meu cheiro
nos comerciais da novela, ouvir meus segredos no vazio da
panela e ver meu coração fugindo pela janela… livre,
inventando uma nova primavera, mesmo que fora de época,
conhecendo todo o mundo de novo, inventando o que já era
novo, resgatando meus pedaços para construir, sem pressa,
sem peso, minha nova estação… nova ilusão…

Essas pequenas saudades são como “os sentimentos ilhados” que “voltam a incomodar”, ao menos que elas possam ser saciadas em beijos, cheiros e braços certos.