o espelho inventou um novo mundo, distorcido, puro, profundo, rumo de todo o pensamento. revelou uma história esquecida, presa por décadas no silêncio da preguiça, esperando o melhor momento. mostrou-se forte, mesmo num leve terremoto tímido, de quem se afoga no seco, em risco mínimo, procurando alguem por dentro. e percebeu o limite trêmulo de sua existência, perdido em sua própria permanência, de quem parou para ver o mundo passar, esperando o bonde certo para pegar.
o espelho se fez nascer, brilhar, trincar e morrer. se viu cantando, apaixonou-se pela imagem e se encontrou dentro dela. o fruto, o pecado, a sentinela. o abalo era em salto alto, o buraco era do tamanho do salto. o sinal que faltava para sua libertação estava tão perto que o cheiro do café roubou-lhe a atenção, a divisa entre realidade e sonho alimentou a sua paixão, fez bater forte teu coração… o irreal estava abandonando a ilusão, invadindo o mundo da mais real imaginação… de passos calmos, de roupas leves, de pés descalços e de cabeça fria e nova, guia de uma nova aurora.
espelho sem imagem
29:Agosto:2008 por blogberona
Bem surreal. Afinal, qual a definição de realidade ou distorção aplicável aos nossos dias? Até onde o virtual não é de verdade a realidade?
Gostei demais da tua escrita!
Beijos enluarados!