observar a vida
a faixa dupla, a democracia, o tapa na cara da traição.
o que me liga ao momento é o centro da atenção.
eu me alimento, escovos os dentes, torno meu dia um mistério
e banalizo a banalização.
e depois escovos os dentes como uma nova lição.
admirar a vida
a poeira da febre, a energia na luz, o medo da contra-mão.
o que me liga ao momento é o centro da atenção.
eu teço planos, tiro um cochilo, mato as aulas
e ensino a educação.
e depois tiro um cochilo com outra emoção.
questionar a vida
o ventre da mãe, a pizza fria, o pulsar do ritmo do coração.
o que me liga ao momento é o centro da atenção.
eu fotográfo o passado, acordo com sede, navego na internet
e despoluo a poluição.
e depois acordo com sede, de indignação.
viver a vida
a dor da pele, o sabor do amor, a loucura da confusão.
o que me liga ao momento é o centro da atenção.
eu tenho filhos, esqueço os endereços, corto a grama do jardim
e emociono a emoção.
e me encontro em outros endereços, na imaginação.
medo da contra-mão?
3:Maio:2009 por blogberona