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Posts Tagged ‘coração’

As chuvas preguiçosas de pouco peso caminhariam comigo no cotidiano para economizar a desnecessária gasolina do fusca, no ir e vir das minhas aventuras, das poucas loucuras. Talvez iriam aparecer mais verdades ao redor. Mais sentidos aos sentidos, mais força na respiração, mais calor dos amigos, menos peso no coração.

Os pensamentos errantes de mudança seriam os guias dos pensamentos que me fazem enfrentar as filas dos bancos para pagar as contas, vez e vez, de quem quase não quer perceber que o tempo passa e não se pode voltar pra perceber. O juros das contas esquecidas vivem, mas o arrependimento dos contos inexistentes não. É como que se o importante fosse contar depois, e não viver? Nada… nada. O que minha comunidade de neurônios intensifica nas conexões é aquele desejo de viagem, e não de destino.

Pode até ser que adiante muito chegar lá de qualquer jeito e olhar pro passado, no ombro do orgulho, e contar com doce nos lábios os anos que se passaram…. Mas o que parece realmente adiantar ser é a lembrança de que, de quase tanta falta de juízo, esquecer de quase tudo que se passou na sorte de sorrir intensamente ao lembrar dos detalhes que ainda sobrevivem na mente…

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Teu passado está ficando mais tempo por aqui. As cores ao redor (cada uma com um bom momento) trabalham como o índice de uma história e na liberdade de me jogar em qualquer página, fico parado vendo tudo, parado no tempo, como um borrão. Faz sentido, me traz equilíbrio, vejo que de uma coleção de fatos bonitos minha lembrança carrega poucos detalhes. Faz sentido nenhum. O vermelho de teus lábios édo mesmo tom da saudade. O castanho de teus olhos é da cor de um caminho pouco percorrido desta história, de dúvidas e imaginações intermináveis. O silêncio amarelo lembra a febre do feriado, o sorriso preso na garganta.

O contraste que posso ver é a certeza que queria ter, de entender, de te prever, e saber a outra versão da história. Versão de outras cores, de outras ligações, outras trilhas. Faz sentido nenhum. Qualquer passo que mude do outro lado, qualquer lembrança, qualquer mudança, o que esquecer (sei que vai inventar brancos e lapsos para facilitar o dia a dia) tentando desbotar iscas de meus sonhos provavelmente passará por aqui em vão, imitando as poeiras que tentei limpar de teu coração. Vai ser o índice borrado do passado, sem sentido algum.

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acordei preso no meu próprio sonho.
preso por vontade, por preguiça,
por perseguição de um silêncio que desapareceu do meu coração.
novas águas já se cheiravam por perto,
na espectativa de novos encantos,
novos momentos,
de controle e de confusão.
não esperava que, no meio desta nova página no calendário,
iria me conhecer por outros olhos.

[foto por: Irene Cartas]

foi confusamente simples.
um “oi, prazer!” que soou como “quanto tempo!”,
de vidas atrás, de uma eternidade, de um segundo,
de nunca mais.
fiquei distraído por mais um tempo naquele sorriso.
era como um livro, uma comédia romântica,
começo, meio e fim… sem espaços para uma
nova versão.
encontro pela sorte,
despedida pelo azar.
Tudo me dizia que estas páginas fechadas,
depois de lidas, iriam ficar por mais um tempo…
Um livro que não se vende,
não se entende,
não se publica.
Criei um passaporte para este novo sonho.
E preso por vontade,
acordo quase todos os dias neste plano.
“Bem vindo ao planeta Terra após o Sono!”

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o minuto passado inventou a sombra deste final de semana.
simples, educado e sonhador, projetou neste semblante
histórico pós barba uma sequência de passos em estrada
tranquila, conhecida e sem tumulto.

fladancing

[foto por: CameraOne]

começou o novo trecho deste mês, antes a loucura de histórias
bem escritas mas preguiçosamente vividas, agora a prontidão
pra deixar a face na frente, ventania pós ventania, para ouvir
na hora exata a melodia e ter a realidade na cor dos sonhos
pintados no moleton quente deste inverno, a pura euforia de
sexta-feira vivendo uma quarta… uma parte da quarta.
agente acorda, brilha, abre os olhos e descobre uma parte do
que faltava, completando o espaço deixado de lado antes, por
desigualdade satisfatória por saber que simples somos mais
atropelados por estes intantes inexplicáveis de bem estar.
é puro momento de fumaça de incenso, de ocupar os lados, os
minutos que estão chegando, o sorriso da alma, instrumento de
paz interior esquentando a palma da mão.
o instante se prolonga, se multiplica por toda a existência.
a vida explicada por um piscar de olhos, entendida no minuto
que deixou no pensamento a temperatura que todo o resto dos
dias pretendiam ter. acordar dentro de si mesmo, no pulmão o
ar, no coração o sangue e na mente o controle de uma identidade.

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observar a vida
a faixa dupla, a democracia, o tapa na cara da traição.
o que me liga ao momento é o centro da atenção.
eu me alimento, escovos os dentes, torno meu dia um mistério
e banalizo a banalização.
e depois escovos os dentes como uma nova lição.
admirar a vida
a poeira da febre, a energia na luz, o medo da contra-mão.
o que me liga ao momento é o centro da atenção.
eu teço planos, tiro um cochilo, mato as aulas
e ensino a educação.
e depois tiro um cochilo com outra emoção.
questionar a vida
o ventre da mãe, a pizza fria, o pulsar do ritmo do coração.
o que me liga ao momento é o centro da atenção.
eu fotográfo o passado, acordo com sede, navego na internet
e despoluo a poluição.
e depois acordo com sede, de indignação.
viver a vida
a dor da pele, o sabor do amor, a loucura da confusão.
o que me liga ao momento é o centro da atenção.
eu tenho filhos, esqueço os endereços, corto a grama do jardim
e emociono a emoção.
e me encontro em outros endereços, na imaginação.

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o espelho inventou um novo mundo, distorcido, puro, profundo, rumo de todo o pensamento. revelou uma história esquecida, presa por décadas no silêncio da preguiça, esperando o melhor momento. mostrou-se forte, mesmo num leve terremoto tímido, de quem se afoga no seco, em risco mínimo, procurando alguem por dentro. e percebeu o limite trêmulo de sua existência, perdido em sua própria permanência, de quem parou para ver o mundo passar, esperando o bonde certo para pegar.
o espelho se fez nascer, brilhar, trincar e morrer. se viu cantando, apaixonou-se pela imagem e se encontrou dentro dela. o fruto, o pecado, a sentinela. o abalo era em salto alto, o buraco era do tamanho do salto. o sinal que faltava para sua libertação estava tão perto que o cheiro do café roubou-lhe a atenção, a divisa entre realidade e sonho alimentou a sua paixão, fez bater forte teu coração… o irreal estava abandonando a ilusão, invadindo o mundo da mais real imaginação… de passos calmos, de roupas leves, de pés descalços e de cabeça fria e nova, guia de uma nova aurora.

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eu sou o taxista de minhas ideias
mas não sei ainda quanto vou cobrar
porque elas andam meio que perdidas
sem saber aonde pretendem chegar


tem horas que viram para o norte
e ficam esperando o sol nascer
e na impaciência das quatro da manhã
escrevem um texto para ninguém ler

ficam de braços abertos para a rua
criam amigos novos, inventam um novo jardim
escapam da rotina da república
escapam do que há dentro de mim

se afogam no tom da Janis Joplin
esculpem um novo romance temporário
inventam novas horas na madrugada
confundindo todo o meu horário

eu sou o taxista destas idéias
e estou mudando de profissão
talvez cupido, massagista ou férias
talvez o guia do meu próprio coração….

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