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Posts Tagged ‘saudade’

Os ponteiros dos relógios deram voltas e voltas no meu olhar, centrifugando um pouco dos meus sonhos para misturar com a realidade. Cores novas, calafrios, montanhas de planos, fotografias, cafeína, preguiça e outros pedaços do meu universo experimentaram uns instantes de astral inédito, como que se esta terça-feira fosse o único dia que eu teria para tentar finalmente me entender.

Foi quando que, no meu quarto quadrado, um silêncio maior que todo o meu passado parou diante de mim. Um silêncio que meus olhos podiam ver, meus dedos tocar, minha respiração espirrar mas meus ouvidos não conseguiriam entender. Não era tão nitido como um cartão postal mas carregava uma imagem que combinaria com qualquer mensagem postada de saudade. Não era sutil como a pele de um anjo que ainda não cumpriu sua missão mas tinha um doce que nem todo o passar dos acordos e guerras conseguiria corroer. Fez pedaços de todo o meu universo encaixarem como imã e deixou uma mensagem única diante de mim, não muito simples, não muito complicada, não muito colorida e nem em poucos tons. A inspiração dos meus próximos passos em sintonia com um pulso que eu ainda não posso esbarrar mas posso sentir que está em breve chegando para fazer destes pedaços unidos uma só forma sem limites, maior que a metade que meu cotidiano chama de presente.

Ela está chegando, em passos calmos pra não modificar muito a paisagem pois sabe que ao meu lado a paisagem não vai ser só deste universo…

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Na preguiça de minha saudade, te confundo em certezas de minha vida. Te deixo ausente destes quase trezentos quilometros de distância. O som que ouço é interrompido pela tua respiração, o incenso fraco do quarto some e sinto parte de teu perfume. Te dobro nas páginas do meu cotidiano para no meio da madrugada fazer de cada papel um pedaço do meu sonho. Te pauso. Te sinto. Te desacredito de momentos inimagináveis. O passar do tempo é guiado pelos passos que te caminho ao redor. O ontem, o amanhã, ficam presos no que te faço presentear.

como?

A razão dos dias distantes?

Nem consigo imaginar…

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a pequena saudade, dormindo como o resto da bateria do
celular, concertou o perdão que eu precisava (para ver as
novas formas deste seu outro futuro). Fez o tom da morta
chuva de ontem trazer formas boas na lembrança de criança
presente… nesta ilha molhada de gente. É elo de família
em sintonia com a semana, como uma escolha correta de
nome, como o final de uma greve de fome. Nasci de novo no
banho, levei outros sonhos por engano e vi teus textos de
preguiça encher meu corpo de vida… me senti novamente
esperança… e como todo sangue novo, recheado de tango
jovem, o máximo que eu fiz foi perceber tua presença
solitária na calçada, cara de quem fez coisa errada.
Tantos presentes, tantas barras superadas, o perdão brota
fácil, meio que na genética, do meu lado, no meu peito. O
castelo que construí de seus pedaços de maquiagem
esquecidos no espelho virou uma outra foto na parede,
poeira nova nesta velha história… O canto de teu
sorriso fica perto, o beijo fica mais esperto, sem
câmeras de romeu e julieta esperando o final da guerra,
como dinheiro falso, sem deixar sequela. Sou um passado

na sua muralha, feita dos medos que te seguiam para nunca
mais ver meus pulsos de arte gótica, tinta seca, tom
fraco, moldura quebrada, carregada de cores de flores,
cada uma para teu ciclo na semana (e você diz que nunca
se engana!)… é peso em cima de teus ombros… de me
procurar em meio aos escombros… de sentir meu cheiro
nos comerciais da novela, ouvir meus segredos no vazio da
panela e ver meu coração fugindo pela janela… livre,
inventando uma nova primavera, mesmo que fora de época,
conhecendo todo o mundo de novo, inventando o que já era
novo, resgatando meus pedaços para construir, sem pressa,
sem peso, minha nova estação… nova ilusão…

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o calor da responsabilidade, as vezes queima a verdadeira idade…
é o fruto que tem que nascer, a história que tem que acontecer.
o futuro se esconde na preguiça de não querer mudar,
na prisão em se apaixonar…
seguir a regra de quem nos paga, falar mais baixo depois das dez,
somos o chão que pisamos, a estrada que imaginamos…
o valor de existir,
poder olhar no espelho e ver uma etiqueta na sombra do olhar
dizendo que hoje, por ser segunda-feira, estamos em promoção
qualquer um pode comprar outro coração…
agente se esconde nos fatos
e vende momentos baratos
agente toma suco, e depois uma decisão
marca um encontro, muda uma nação…


agente sonha, ama, escuta e lê
agente vê, agente acredita
espirra e depois medita…
criamos ordem… cantamos o silêncio
agente é clima por um momento
é o calor da porta aberta, o frio de estar quase sempre alerta…
o engano do fax, a parábola no caderno
somos papéis, somos anéis
fazemos serenatas para matar a saudade
fazemos concursos para saber a verdade…
somos a preocupação de provar a existência,
somos a pura falta de paciência…
o terno elegante, a saia branca… o vento fraco
compramos leis e vendemos ações…
agente desmarca a constituição para depois, desenhar…
para pescar, e na falta de atitude, perder o trio elétrico
…carregamos o celular, deixamos o tempo passar
e queremos conhecer todo o universo
(mesmo que não passe de pedras geladas de rotas traçadas)
a imensidão do cartão postal e o vazio do cartão de crédito,
somos todos mérito… somos distância do cemitério…
criamos coragem para atravessar a rua
somos o médico, o cão de guarda, a passarela
batemos gelo no liquidificador,
tomamos remédio genérico para dor…
somos indecisos, procurando alguém preciso…
somos assim, um universo sem fim,
um planeta dentro de mim,
ele, ela, e quem estiver afim….

ela, ele, e quem estiver afim.

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O lugar perfeito, na pele perfeita. Para minha segunda feira preguiçosa, escolho o abrigo do cobertor vermelho mal passado, as luzes fracamente afrodisíacas de um diretor hollywoodiano qualquer, até uma turbulência de ultimas letras do alfabeto camuflar minha preguiça em um sonho pacientemente perfeito. Para minha terça-feira de apresentação ao mundo exterior, sou uma válvula de pressão na panela da cozinha, observada pelos olhos famintos e alaranjados de um Golden Retriever esperando o rumo do minuto seguinte: fome ou fartura, guerra ou paz. Agora, na quarta-feira cinzenta, de quem não saiu com um semblante de vitória da terça-feira, um leve sorriso falso pra despistar as opiniões de alto calão; sou uma bolinha branca de ping-pong viajando sob a áurea azul da mesa [274×152,5 cm] do salão, curtindo a leveza do ar ao redor até atingir o indesejável mais obrigatório som seco, anunciando mais uma pancada da nada gentil raquete, na mão direita de algum presidente eleito por votos digitais… Mas espero, depois da escuridão, a luz; e uma nova viagem prazerosa de volta, passando pela rede divisora dos lados A e B de um vinil jamaicano com poucos riscos (de quem deixou os filhos curtirem o barato sem se preocupar, como deve ser)… e chega quinta-feira, agora, já natural… Sou a lâmpada apagada da pista escura da boate, até a hora em que o DJ (em sombras seguidoras de aulas “Toaster”) chegar. Literalmente. É que, pra depois deste descanso, nem eu sei mais quem eu sou… Descontrole, ora aceso, ora apagado, sendo guiado por uma força aleatoriamente externa, nas batidas de um groove bem feito, sem saber aonde que vou iluminar e, muito menos, aonde vou apagar… E na sexta-feira, ainda dormente, uma lição pra recordar… ou, pelo menos, lembrar. O que foi, de segunda a quinta, foi para melhorar o tom do fim de semana, pra gerar mais sorrisos momentâneos, uma pulsação ativa no peito, de quem quer curtir a vida. E neste sentimento de positividade, na sexta-feira, eu desafio as físicas de Newton. Sou um pernilongo desempregado, vagando livre, cabeça randômica, atrás de alguma aventura pelos portais da vida. Pouso na lateral do papel higiênico da suíte, perfumado, esperando a hora de alguém puxar pela ponta, fazendo o meu mundo girar, girar, sem precipitação de fuga, (a=v²/r) uma sensação inexplicável, digna dos sonhos de qualquer legista de um parque de diversões… Sou a pura aventura… sou a sexta-feira, pra quando o sábado chegar, me levar para onde quer que seja… Trilhas certas, caminhos que não dão em lugar nenhum (como aqueles viadutos inacabados da Fernão Dias), pra não se preocupar com nada…. Nem com os ponteiros do relógio girando, girando como minha cabeça, ainda entorpecida pela sexta-feira… Sou um bêbado ainda careta, procurando alguém pra dividir a conta do bar… Sem trocos, pra facilitar. Sou um navegador daqueles da história do descobrimento do Brasil, procurando ilhas para governar. Ilhas para dar bom dia, ilhas para sentir saudade, ilhas para dividir

preso nas fantasias de minha própria ilha deserta...

sorrisos, ilhas para morar, e me sentir em casa. Depois de algumas aventuras por aí, no domingo, vou ser uma pessoa normal, em casa, comendo strogonoff de frango com coca-cola, pra depois, pensando no aluguel, lavar as louças… Todas, quase que sem preguiça porque, eu sei, amanhã serei a pura preguiça… Me escondendo de baixo de algum cobertor vermelho, pra começar tudo de novo…numa segunda feira de inverno, sempre com um sonho por perto…

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