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Posts Tagged ‘silêncio’

Os ponteiros dos relógios deram voltas e voltas no meu olhar, centrifugando um pouco dos meus sonhos para misturar com a realidade. Cores novas, calafrios, montanhas de planos, fotografias, cafeína, preguiça e outros pedaços do meu universo experimentaram uns instantes de astral inédito, como que se esta terça-feira fosse o único dia que eu teria para tentar finalmente me entender.

Foi quando que, no meu quarto quadrado, um silêncio maior que todo o meu passado parou diante de mim. Um silêncio que meus olhos podiam ver, meus dedos tocar, minha respiração espirrar mas meus ouvidos não conseguiriam entender. Não era tão nitido como um cartão postal mas carregava uma imagem que combinaria com qualquer mensagem postada de saudade. Não era sutil como a pele de um anjo que ainda não cumpriu sua missão mas tinha um doce que nem todo o passar dos acordos e guerras conseguiria corroer. Fez pedaços de todo o meu universo encaixarem como imã e deixou uma mensagem única diante de mim, não muito simples, não muito complicada, não muito colorida e nem em poucos tons. A inspiração dos meus próximos passos em sintonia com um pulso que eu ainda não posso esbarrar mas posso sentir que está em breve chegando para fazer destes pedaços unidos uma só forma sem limites, maior que a metade que meu cotidiano chama de presente.

Ela está chegando, em passos calmos pra não modificar muito a paisagem pois sabe que ao meu lado a paisagem não vai ser só deste universo…

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acordei preso no meu próprio sonho.
preso por vontade, por preguiça,
por perseguição de um silêncio que desapareceu do meu coração.
novas águas já se cheiravam por perto,
na espectativa de novos encantos,
novos momentos,
de controle e de confusão.
não esperava que, no meio desta nova página no calendário,
iria me conhecer por outros olhos.

[foto por: Irene Cartas]

foi confusamente simples.
um “oi, prazer!” que soou como “quanto tempo!”,
de vidas atrás, de uma eternidade, de um segundo,
de nunca mais.
fiquei distraído por mais um tempo naquele sorriso.
era como um livro, uma comédia romântica,
começo, meio e fim… sem espaços para uma
nova versão.
encontro pela sorte,
despedida pelo azar.
Tudo me dizia que estas páginas fechadas,
depois de lidas, iriam ficar por mais um tempo…
Um livro que não se vende,
não se entende,
não se publica.
Criei um passaporte para este novo sonho.
E preso por vontade,
acordo quase todos os dias neste plano.
“Bem vindo ao planeta Terra após o Sono!”

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o calor da responsabilidade, as vezes queima a verdadeira idade…
é o fruto que tem que nascer, a história que tem que acontecer.
o futuro se esconde na preguiça de não querer mudar,
na prisão em se apaixonar…
seguir a regra de quem nos paga, falar mais baixo depois das dez,
somos o chão que pisamos, a estrada que imaginamos…
o valor de existir,
poder olhar no espelho e ver uma etiqueta na sombra do olhar
dizendo que hoje, por ser segunda-feira, estamos em promoção
qualquer um pode comprar outro coração…
agente se esconde nos fatos
e vende momentos baratos
agente toma suco, e depois uma decisão
marca um encontro, muda uma nação…


agente sonha, ama, escuta e lê
agente vê, agente acredita
espirra e depois medita…
criamos ordem… cantamos o silêncio
agente é clima por um momento
é o calor da porta aberta, o frio de estar quase sempre alerta…
o engano do fax, a parábola no caderno
somos papéis, somos anéis
fazemos serenatas para matar a saudade
fazemos concursos para saber a verdade…
somos a preocupação de provar a existência,
somos a pura falta de paciência…
o terno elegante, a saia branca… o vento fraco
compramos leis e vendemos ações…
agente desmarca a constituição para depois, desenhar…
para pescar, e na falta de atitude, perder o trio elétrico
…carregamos o celular, deixamos o tempo passar
e queremos conhecer todo o universo
(mesmo que não passe de pedras geladas de rotas traçadas)
a imensidão do cartão postal e o vazio do cartão de crédito,
somos todos mérito… somos distância do cemitério…
criamos coragem para atravessar a rua
somos o médico, o cão de guarda, a passarela
batemos gelo no liquidificador,
tomamos remédio genérico para dor…
somos indecisos, procurando alguém preciso…
somos assim, um universo sem fim,
um planeta dentro de mim,
ele, ela, e quem estiver afim….

ela, ele, e quem estiver afim.

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